Por essa ninguém esperava, e não estou falando do fato de eu postar depois de deixar o blog entregue as moscas… mas eu sou assim mesmo, sumo e volto como se nada acontecido… ninguém dá falta mesmo.
Mas vamos ao que interessa.
Depois de tantas notificações extra-judiciais por parte de grandes corporações, muitas das quais resultando em humilhação pública do acusador, chegou a vez do Pirate Bay, serviço de trackers de torrents, processar grandes nomes da indústria do entretenimento.
Tudo graças ao vazamento de alguns emails da MidiaDefender, empresa contratada para defender os interesses de empresas como EMI, FOX, Sony Pictures, Paramount, entre outros figurões da indústria (fono|cinemato)gráfica.
Essas mensagens continham a prova que comprovavam as suspeitas do Pirate Bay: os grandes selos estavam pagando garotos virgens de 14 anos, com óculos, aparelho dentário, espinhas na cara e que eram humilhados no colégio e com muita vontade de se vingar da humanidade crackers profissionais para que invadissem, sabotassem ou promovessem ataques de negação de serviço contra os trackers do Pirate Bay.
Com isso temos uma total inversão de papéis, onde o mocinho vira bandido e vice-versa.
Isso seria mais ou menos como você ser acusado de ser um serial killer por ter uma camâra frigorífica em seu apartamento e de repente descobrir que o acusador entrou sorrateiramente em seu lar para obter tal informação. Talvez eu esteja levando Dexter muito a sério… A propósito, Dexter também está disponível para baixar através dos trackers do Pirate Bay.
Lembram do grande embate que ocorreu no início dos anos 80 para definir qual seria o padrão de fato no ramo do video doméstico? Quem tem mais de 25 deve lembrar.
Sim! Estou falando da grande batalha Betamax x VHS, na qual o VHS aplicou um “FINISH HIM” no oponente.
E o que levou o VHS, mesmo sendo tecnicamente inferior, a ganhar essa luta? Basicamente foram dois motivos. Um deles foi o custo mais baixo. O outro, e esse realmente foi matador, foi a adoção em massa do VHS pela indústria de vídeos de entretenimento adulto, também conhecida como produtoras de filme de sacanagem.
Aliás, esse não é o único caso que a pornografia impulsiona a tecnologia. Se voltarmos a um tempo em que eu e você não éramos nascidos, aliás, nem seu avô era nascido ainda… talvez seu bisavô, mas acho que nem ele. Eu não sei precisar exatamente quando esse fato aconteceu, mas isso é de um tempo em que pornografia só era encontrada em casas especializadas. Essas casas ainda hoje são conhecidas como casas de burlesco, cabarés, bregas, inferninhos, puteiros e outros nomes dados pela cultura popular.
Naquela época um senhor distinto e gozador de bastante prestígio social, como um juiz ou sacerdote, corria sérios riscos ao frequentar uma casa desse tipo. Além do risco de serem agredidos fisicamente por algum bêbado presente no local (e ter que inventar desculpas esfarrapadas para a esposa depois), tinha o risco de encontrar com alguma outra figura conhecida como o diretor da escola de seu filho (”Eu só entrei para perguntar como se sai daquele lugar” - Seymour Skinner), e ter sua reputação e sua moral completamente arruinadas.
Então um operário de uma gráfica descobre que a prensa com a qual ele trabalhava não servia apenas para imprimir bíblias. A partir daí, o senhor distinto não precisaria mais frequentar as casas especializadas. Ele agora teria pornografia (mesmo que ainda bastante rudimentar) no formato de folhetins, que poderiam ser consumidos no aconchego de seu gabinete de leitura. E assim nasceu a indústria de revistas de “mulé nua”, e com isso popularizando a mídia impressa.
Com a Internet foi a mesma coisa. A compra de revistas de mulé nua em bancas ainda era coisa arriscada para a moral de senhores distintos mais modernos. Então surgiu a Internet e fez com que a pornografia fosse entregue direto para o Home Office (versão moderna do gabinete de leitura) do senhor distinto. Sem intermediários. Os preços dos provedores cairam, inclusive surgiram alguns gratuitos, o povão passou a se conectar, então surgiu a banda larga, que se popularizou também graças a pornografia. Essa é tão simples de explicar quanto conta de padeiro: maior velocidade, menos tempo para baixar sacanagem.
Mas voltemos aos padrões de vídeo. Na época do Betamax x VHS, a Sony (responsável pelo Betamax), não queria que o seu padrão fosse usado para fins, digamos assim… imorais. Ou seja, que fosse voltado para senhores distintos desprovidos de qualquer perversão e suas imaculadas famílias.
Não deu outra: a indústria de filmes de putaria, que já produziam conteúdos para telonas (também conhecidos como cinemas do centro da cidade), queria entrar (no sentido comercial) nas telinhas também, acabou abraçando (talvez por trás) o padrão VHS, para então fazer a felicidade dos senhores distintos que buscavam uma sacanagenzinha doméstica além das revistas de mulé nua.
Então os senhores distintos começaram a comprar video-cassetes VHS, que foram barateando até caírem no gosto e no bolso do povão. Matando assim o Betamax, que mesmo com melhor qualidade, não podia oferecer o que o povão queria.
Agora a briga é entre o Blu-ray e o HD DVD. Mais uma vez a Sony diz que não gostaria que o seu padrão (o Blu-ray) fosse usado para fins imorais. Isso é de se espantar, afinal a Sony é uma empresa japonesa, e os japas não são os sujeitos mais puritanos do mundo, afinal de contas o Boong-Ga Boong-Ga surgiu lá no Japão.
Recentemente na CES (Consumer Eletronic Show) desse ano a indústria de entretenimento adulto declarou que vai produzir seu contéudo voltado para o HD DVD (que é tecnicamente inferior que o Blu-ray, porém mais barato), dessa forma gozando na cara (tendência muito em voga nos filmes de sacanagem atuais) da Sony.
E então, Blu-ray vai ser o Betamax do futuro e sucumbirá diante do HD DVD assim como o Betamax sucumbiu diante do VHS? Se depender dos senhores distintos que comprarão (ou já compraram) HD DVD players, a resposta é sim.