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A estranha saga de uma mão esquerda – capítulo um

Tudo começou quando não conseguiu desligar uma tomada da parede. Mentira. Tinha começado umas duas semanas antes. Mas a tomada foi a gota d’água, não dava mais para adiar. Tinha que ir ao médico ver que diabos acontecia com sua mão esquerda… Esquisito um cara destro reclamar de dores na sua mão débil.

Não que a outra mão tivesse toda a destreza do mundo, mas pelo menos era mais destra que a outra, e desenvolvia muito mais atividades manuais que a canhota, portanto mais suscetível a dar um xilique e doer quando fosse desligar uma tomada.

Mas é óbvio, tinha que ser a mão mais idiota. O que realmente aconteceu ele não sabia. Podia ter dormido por cima da mão, ou ainda tê-la forçado a fazer um esforço maior que o devido. A hipótese de uma punheta estava completamente descartada… a mão era débil demais para isso.

Continuando, ele finalmente foi ao médico ver que diabos tinha na mão:

- Olha dotô, meu problema na verdade são dois. Minha mão esquerda e meu pé direito.
- Vamos começar pela mão. Você é canhoto?
- Não sou destro… e nem vem com a piadinha da punheta mal-batida que acabou acertando a pia, se tiver que engessar essa porra vou ouvir essa merda amanhã o dia todo saindo da boca de sujeitos tão engraçados quanto uma música de Haendel.
- Hein? Não entendi…
- Deixa pra lá… mas é o seguinte: a mão tá doendo… o pulso pra ser mais exato. Dói quando movimenta.
- Ihhhhh meu filho… isso é enconsto.
- Encosto? Mais que diabos de ortopedista é você? Parece mais um pai de santo…
- Ah! Foi mal. Seu problema é tendite. Passe no cara do gesso, bote uma tala e tome esse anti-inflamatório ninja.
- Mas e meu pé?
- Ah é… engessa ele também e toma o anti-inflamatório.
- Vou engessar só a mão mesmo. Valeu!

Então nosso herói (?) foi visitar o cara do gesso… ganhou uma mão engessada e foi pro metrô pra voltar pra casa.

(toca o tema do Robô Gigante a aparece na tela: To be continued…)

Be the first to comment - What do you think?  Posted by psychopenguin - 24/10/2006 at 22:01

Categories: Devaneios sem sentido de uma mente insana, Mera Coincidência, É um mundo bizarro, baby   Tags: , , , , , , , , , , ,

Hoje Não Tem Happy Hour

O dia começa e os pés ainda doem dos dias anteriores. Mas vão sofrer mais um pouco. É isso aí! Superação.

A voz fala, não para um minuto qualquer. Apenas por alguns intervalos de poucos segundos para um copo d’água ou uma borrifada de própolis. A propósito: coisa de zé mané hipocondríaco andar com um frasco de propólis no bolso.

E os pés ainda doem.

Pausa pro almoço. Saco vazio não para em pé. Pelo menos é o que diz o ditado. Mas o que são velhos ditados comparados com a indústria farmacêutica moderna?

Hora de voltar a castigar os pés.

A voz também cansou. Mesmo assim ela não para. Repete tudo que havia sido dito antes. Um gravador cairia bem.

Parece que agora será uma hora feliz. Puro engano, antes da felicidade vem o flagelo da volta. E os pés doem ainda mais.

Os pés se animam, estão perto de se verem livres e terem um merecido descanso. A doce ilusão caí como um castelo de cartas atingido por um peteleco. O descanso foi adiado. Coisas ficaram pendentes. Sorte da voz que agora não tinha nada a ver com o caso.

E os pés praticamente gritam. Nessa horas os pés queriam ser a voz. Mas tinham que continuar. E foram.

Depois voltaram. Agora sim chegara a hora da calmaria. Mas não… tinha que querer dar mais uma volta antes. É só pra olhar… desculpinha mais esfarrapada.

De repente o impulso, e foi… deveria ter sido uma coisa legal.

Enfim os pés se libertam. Mas agora é tarde. Não tem desculpa, nem perdão. Apenas o frio.

Be the first to comment - What do you think?  Posted by psychopenguin - 05/05/2006 at 23:33

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