Tragédia Anunciada
Hoje eu pretendia iniciar uma série especial de posts sobre alguns personagens dos Simpsons. Algo como uma contagem regressiva para o filme. Mas os fatos desse final de dia, mexeram com minha cabeça.
Cheguei em casa por volta das 19:15. Jana estava assistindo TV, e me perguntou se eu sabia do acidente em Congonhas.
Perguntei se tinha sido o avião da Pantanal que tinha derrapado ontem, e ela me disse que era o que acabara de passar na TV. Um avião que não conseguiu pousar e atravessou a Av. Washington Luís e bateu contra um prédio. Aos poucos as informações foram surgindo. O Airbus A320 que fazia o vôo 3054 da TAM, vindo de Porto Alegre não conseguiu pousar, e atingiu um prédio da própria empresa. Daí então uma parte de minha vida recente começou a passar em minha cabeça. Esse acidente poderia ter acontecido a qualquer momento, até mesmo na época que eu precisava viajar a trabalho com uma certa frequência.
Até meu irmão me ligou para saber se eu estava bem, preocupado pelo fato de eu viajar com frequencia. Por sorte mudei para um emprego que as viagens não serão mais tão frequentes assim.
Congonhas é um aeroporto que sempre me causou muito medo nos momentos de pouso. Confesso que sempre tinha receio de não chegar em casa, quando meus vôos de retorno eram marcados pra lá. Por duas vezes eu admito que senti muito medo. Uma quando voltava de Vitória no ano passado, e a outra voltando de Belo Horizonte, recentemente. Nas duas vezes chovia bastante.
Essa última vez, voltando de BH, a pista auxiliar tinha sido reformada e recém-inaugurada, e as obras na principal estavam começando. Antes de pousar, o avião ficou sobrevoando a região de Santos por uns 40 minutos, por causa da chuva. Eu torcia para o pouso ser transferido para Cumbica, mas finalmente foi anunciado o pouso em Congonhas mesmo. Lembrei que não tinha avisado a ninguém que eu estava naquele vôo. Preferi fazer pensamento positivo: “Vamos lá Fábio… fica frio… vai dar tudo certo. Você nunca teve problemas com os pousos nesse aeroporto.”
Felizmente nada demais aconteceu, porém as pessoas do JJ 3054, não tiveram a mesma sorte, e a tragédia agora está em todos os canais de TV, portais na Internet, blogs e todo tipo de mídia imaginável. A pouco tempo, zapeando os canais, vejo que a CNN está fazendo uma cobertura intensiva. Numa das manchetes (breaking news) diz que a quantidade de mortos é mais de 200, desses cerca de 170 estavam a bordo do avião. Os outros são as pessoas que estavam no prédio da TAM Express.
Vi na Globo News um cara, que não vi o nome, falando que Congonhas é seguro. Seguro meu senhor? Faça-me o favor. Uma pista curta em cima de um morro, no meio da maior área urbana do país pode ser chamada de segura? Se realmente transmitisse essa segurança toda que esse sujeito afirma, eu não sentiria medo toda vez que tivesse que aterrissar lá.
Dá pra chamar de seguro um aeroporto cuja pista foi reformada em caratér emergencial, sem licitação portanto, e entregue bem antes do prazo? Está claro que a obra foi feita nas coxas. Como tudo nesse maldito país. É emergencial? Beleza, sem licitação. Mete a faca, me dá minha parte. Usa material de segunda e contrata os operários só por um terço do tempo necessário. Tá pronta a obra.
Muito triste esse acidente aéreo, o maior do país, menos de 10 meses do acidente do GOL 1907, que se chocou com um Legacy no sul do Pará e que desencadeou toda uma sequência de disse-me-disse chamado pela mídia “oficial” de apagão aéreo.
Essa noite não terei bons sonhos.
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Percebi o quão perigosa a pista deste aeroporto é – num vôo de partida de lá – em outubro/novembro de 2005, num final de tarde. Enquanto o piloto esperava a autorização para decolagem, na fila, pude observar a proximidade absurda da pista com a avenida e tive impressão de estar um pouco acima apenas dos carros e ônibus que trafegavam incessantemente poucos metros abaixo.
Em Guarulhos não sei se ocorreu algum tipo de acidente ainda.
Abraços!
E ainda ouvi um especialista dizer que Congonhas é seguro…
Beijos, mô.
Jana.
Um Km extra de pista e uma área de escape grande e com terreno coberto por grama ou areia, após a cabeceira certamente poderia ajudar…
Nesse caso o cara estava muito rapido e não tinha nada de errado até ele tocar a pista… até isso ele fez certinho, pelo que dizem.
Dependendo do que foi, poderia ser bem difícil pousar em segurança, mesmo em uma pista maior.
Mas eu confesso que faz tempo que tenho preferido GRU, até pela nossa facilidade com ônibus.