Fazia frio… e também chovia, apenas um chuvinha fraca, uma garoa na verdade. Não tinha um guarda-chuva. Tivera um no passado. Mas os guardas-chuva não eram mais importantes.

Passou a gostar da chuva. Achava que todos deviam tomar banho de chuva, ao menos uma vez na vida.

Resolveu sair. Pegou apenas as chaves e seu player de audio. Ouvia Cat Power. Interessante como a voz de Chan Marshall combinava com a chuva.

Não tinha destino certo, apenas caminhava sem rumo. Gostava de fazer isso. Dizia que era pra arejar a mente. Sempre fazia sem companhia. Não que fosse anti-social, apenas não tinha ninguém para lhe acompanhar.
Parou numa loja de conveniência, comprou uma cerveja e seguiu adiante. Enquanto bebia tentava se lembrar dos últimos dias. Questionava por que as pessoas tinha toda aquela necessidade de serem fúteis? A imagem da garota loira com uma dose de black label lhe surgiu. Riu sozinho ao compará-la com um violino. “É fácil! É só pegar e passar a vara!”.

Continuava garoando, e seguia andando. Parecia uma sombra. Ninguém notava, ou lhe dava a mínima. Vivia numa situação de anonimato total.

Outras velhas lembranças lhe vieram. Em seu canto, via pessoas dançando numa festa. Pareciam felizes. Quem lhe acompanhava eram sua cerveja e seu cigarro. As únicas palavras trocadas tinham sido com o pessoal do bar. Talvez alguém tenha lhe pedido licença, mas não tinha certeza disso.

Esqueceu a festa, seguiu andando. Não dissera a ninguém que iria dar uma volta. Também não tinha para quem dizer. Tinha apenas a cerveja e Cat Power.

Já estava perto do mar. Resolveu entrar…

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