Quem se importa?
Tinha acordado quase as 15:00 com uma puta dor de cabeça. Bastante similar com aquelas que acompanham as ressacas. Mas não era ressaca, estava a mais de 24 horas sem ingerir uma única gota de álcool.
Havia passado a noite acordado. Qual motivo? Não se lembrava. Lembrava apenas que passou um tempo olhando para uma janela do programa de mensagens instantâneas, esperando por uma mensagem que nunca havia chegado.
Tentava não pensar em nada, apenas apontava um olhar morto pra tela de LCD de seu laptop velho de guerra.
Mas não conseguia, tentava não pensar. Lembrou novavemte de Homer Simpson. Ali sim estava o verdadeiro gênio. Vivia sem pensar, e conseguia se dar bem daquela maneira. Pensava em não pensar, como havia feito algumas horas antes, no momento em que se dirigia para a estação de metrô.
Não pensar é difícil. As pessoas assim chamadas genéricas é que sabiam viver, elas não pensavam, ou talvez pensassem pouco.
Voltou a olhar pro LCD, nada mudara, exceto a hora exibida pelo relógio que tinha na parte inferior da tela. Lembrou que viajaria dentro de algumas horas, mas não queria arrumar a mala. Lembrou novamente de Homer, dessa vez daquele episódio em que ele viaja com uma colega de trabalho. Pelo menos o final daquele episódio era feliz.
Enfim, conseguiu dormir, e depois acordou com dor de cabeça.
Twitter
Mô, você me falou deste episódio. Por que é tão dificil acreditar que não teremos um final feliz, mas dias e dias despreocupados com essa necessidade de finitude. Eu não penso nos pontos finais, eu não posso nessa estranha necessidade que as pessoas fabricam de se criar limites para que as coisas sejam organizadas didaticamente na vida. Eu penso sempre na gente, nos nossos momentos grandiosamente bons e nos nossos momentos estupidamente ruins. Eu penso nisso tudo e vejo que, apesar dos choques entre o claro e o escuro, entre o riso e a dor, entre a mágoa e o carinho, estamos juntos, dividindo toda e qualquer insegurança, todo e qualquer momento. Somos mais que um casal programado para dar certo, porque foi convencionado que o mundo deve estar dividido em pares. Somos mais que isso. Somos duas pessoas que sinceramente querem um a companhia do outro, sem excessos, sem teatro, apenas a necessidade crua de que um sem o outro é apenas vazio, quietude e nada.
Tenho que plantar bananeira próximo ao abismo para você acreditar que te amo?
Amo você. Acredite apenas.
Beijooooooooooooooo
Jana