Nervos de Aço – Lupicínio Rodrigues
Isso é um verdadeiro clássico. Quando eu comprar meu baixo eu vou tentar tocar essa música.
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um outro qualquer
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nenhum pedaço do meu pode ser
Há pessoas com nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a ejo
Me dá um desejo de morte ou de dor
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Sei não… Sei é o que ter loucura por um homem… Isso eu sei bem! Sei o que é ter que lidar com distância, sei o que é querer dividir coisas e logo lembrar que você está distante demais… Sei o que é lembrar de todos nossos erros e acertos… Sei o que é fechar os olhos e lembrar que não estou sozinha no mundo, pois tenho você em algum ponto desse nosso mundo grande e ao mesmo tempo pequeno demais… Sei das vezes que nos machucamos, que temos nossa carne dilacerada, mas sei também o que é ser curada por suas mãos e palavras.
Sabe qual é o grande problema das palavras? Elas, por mais que consigam apenas representar algo, jamais conseguirão demonstrar de verdade aquilo que sentimos por aquele que amamos. Não adianta eu gastar todo o meu português de boteco… Amor, meu bem, você nunca saberá o quanto de você há em mim vivo e pulsante. Só sei do que sinto, Binho… Só sei do que sinto… E quero que você acredite no que digo, apesar de saber que minhas palavras jamais trarão pra você a dimensão real daquilo que sinto e quero de você.
Menino…. Amor é algo que você sabe que há entre nós… Você sabe… Ninguém, além de nós dois, sabe…
Beijoooooooooooooooooooooo
Jana
Ia até comentar, fazer uma piadinha sem graca sobre “tocar baixo” e tal… mas a Jana passou a régua nos comentários desse post. Não vou nem submeter este comment por conta disso.
Amo vocêeeeeeeeeeee… Amo vocêeeeeeeeeee… Amo vocêeeeeeeeee…
Passa no meu brogue!
Beijoooooooooooooo
Jana
Maçan, eu passei a régua em que, homi? huahauhahauhauhahauh.
Vou passar a “régua” em Fábio… Só não sei se ele vai deixar! Tenho que passar num Sex Shop! huahauhauhahua.
Beijo
Jana
Carne e Sonho
Pra tu, peste chata e gostosa
Ela sabia que em algum momento as palavras não seriam suficientes ou seriam excessivas demais. Nada convergia em equilíbrio. Ou era falta ou era excesso. Estavam agora, cada um em seu nicho, perdendo um pouco de sangue e ilusão. Eram um. Formavam um corpo pulsante e simiesco. Não eram dois, eram um. A unidade não sugeria equílibrio, mas a unidade significava que se tentassem romper a carne um do outro, haveria perda, haveria morte. Ela sabia, mas ele se encolhia e fechava os olhos.
Eram um, mas caminhavam sozinhos. A solidão de um distinguia-se da do outro. Ela se ofereceu como sacrifício, carne, sangue e mirra. Ele aceitou, rompeu seu corpo e o cheiro adocicado do sangue perfumou o ar através da mirra. Ela caminhou ao altar de mármore frio. Ela caminhou passo a passo, sem resistência, sem mãos atadas, sem medo. Ele hesitou muitas vezes antes de receber o sacríficio. Ela, no entanto, caminhou e deitou na pedra e esperou o golpe.
O tempo embaça imagens e justifica o esquecimento. Ela lutava todos os dias para não esquecer, mas ele foi passivo ao tempo e esqueceu daquele ritual que uniu o sangue dela à sua pele. O tempo ajudou ele a misturar o rito aos cafés matinais, aqueles que depois de tomarmos aos goles, não mais lembramos do sabor. De singular, ela se tornou café matinal, igual sempre em cor e a diferença de sabor, mesmo que variasse, não era percebida. Ele tomava aqueles goles rápidos e despreocupados, e o tempo fez ele esquecer da singularidade dos olhos que o fitavam do fundo da xícara.
Eles eram um, mas ele não mais sentia a unidade. Ele tinha medo. Seu medo já obedecia à lógica dos corpos independentes. Ele pensava em seu medo e esquecia do medo dela. Ele pensava em sua solidão e esquecia que ela também conhecia a sensação de mãos tocando o nada. Ele procurava outros corpos e palavras que o fizessem se sentir menos embaçado para a vida. Ela fazia o mesmo, mas seus olhos enxergavam apenas o que se apresentava como o explícito. Ele se misturou a outros corpos e ela só misturou seu corpo a palavras. Ele vivia a carne, ela vivia o sonho. Ele gozava, ela colhia um punhado de atenção. Mas ele vivia a carne, enquanto ela vivia o sonho.
Ele procurou seu seio, como uma criança que rejeita a ausência do leite. Ela converteu sangue em leite, apenas para alimentá-lo. Enquanto ela via seus olhos fechados e sua boca sedenta dela, suas mãos pequenas agora seguravam forte sua carne. O medo dele atravessava a carne dela, mas ele esquecia que ela também sentia medo. Ele viveu a carne e ela viveu o sonho. Ela acariciava seus cabelos anelados e dizia que eles eram um. Ela não tinha medo da mistura de sua carne com outras. Ela tinha medo da mistura de almas apenas. Mas ele não entendia que o perigo não era o mesmo. Ele não entendia que o perigo de um corpo visitado por outro era maior que palavras trocadas em um espaço distante e vazio. Ele viveu a carne, ela viveu o sonho.
Eles eram simieses. Se seus corpos hoje desejassem direções distintas, haveria lágrima, dor e morte. Eles são um corpo, caminhando sozinhos em espaços diferentes, mas suas almas são simiesas. Ela fecha os olhos e mergulha no esquecimento. Não é o encontro de carnes que a faz caminhar em chão aquoso, é o encontro de almas. Seus corpos estão unidos. São almas que vagaram errantes por segundos vazios. Ela rejeita a lâmina que separará essas almas já tão misturadas. Se ele se for, levará parte dela… Se ela se for, levará parte dele… Não é comodismo, não é mera aceitação… É certeza… Mas ele viveu carne e ela viveu sonho. Que fechem os olhos e esqueçam da carne ou do sonho… Ou que visitem cada um, mas não lhes entregue a alma como sacríficio por conforto para a solidão.
Janaína Calaça (Porque sua mulher acha que escreve!!!)
Huahuhauauua, e que depois do seu post fiquei ate sem graca de postar algo, foi tao biito…
Belo blog cara! Gosto do Lupicinio… Legal saber que você também trabalha(va) por aqui por Jequié. Grande abraço!